O que é o equinócio
O eixo de rotação da Terra é inclinado cerca de 23,5 graus em relação ao plano da órbita. É essa inclinação, e não a distância até o Sol, que produz as estações. Ao longo do ano, o hemisfério que recebe luz mais direta se alterna.
Duas vezes por ano a inclinação fica de perfil em relação ao Sol e os dois hemisférios são iluminados igualmente. São os equinócios — palavra que vem do latim aequus (igual) e nox (noite), porque nesses dias o dia e a noite têm duração muito parecida em todo o planeta. O equinócio de setembro marca o início da primavera no sul e do outono no norte.
O momento exato é um instante astronômico, calculado com precisão de minutos, e não um dia inteiro. Por isso a data oscila entre 22 e 23 de setembro no horário de Brasília: em alguns anos o instante cai depois da meia-noite, em outros antes. O fim da estação é o solstício de dezembro, quando o Sol atinge sua posição mais ao sul e o dia é o mais longo do ano no hemisfério sul.
Do equinócio em diante, os dias vão ficando progressivamente mais longos que as noites, e a inclinação dos raios solares aumenta a energia recebida por metro quadrado. Em outubro, esse efeito já está bem estabelecido: amanhece mais cedo e escurece mais tarde do que em agosto.
Como é o clima da primavera brasileira
A estação é de transição, e transição significa instabilidade. No Centro-Sul, o padrão típico é o retorno das chuvas: manhãs claras, aquecimento ao longo do dia e pancadas no fim da tarde, muitas vezes com raios e rajadas de vento. Os termômetros sobem em relação ao inverno, mas frentes frias ainda chegam e derrubam a temperatura por alguns dias.
No Sul, a primavera é a estação mais ventosa e a mais sujeita a temporais severos, com granizo em episódios isolados. No Nordeste, o regime é outro: no litoral leste o período chuvoso tem calendário próprio, e no sertão outubro ainda costuma ser seco e quente. No Norte, a divisão que faz sentido é entre estação chuvosa e estiagem, não entre as quatro estações. Os detalhes por região estão no clima de outubro no Brasil.
A estação das flores — e das alergias
A primavera é chamada de estação das flores por um motivo biológico: o aumento do fotoperíodo e da temperatura dispara a floração de um grande número de espécies ao mesmo tempo. O calendário das floradas mais visíveis no Brasil começa antes da estação e se estende por ela: os ipês — amarelo, rosa, branco e roxo — abrem em sequência entre o fim do inverno e a primavera, muitas vezes com a árvore ainda sem folhas, o que torna o efeito ainda mais chamativo.
Em outubro e novembro, o jacarandá-mimoso tinge de lilás avenidas inteiras em São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Belo Horizonte. Também florescem sibipirunas, flamboyants em regiões mais quentes, e uma multidão de espécies de jardim. Sobre as espécies associadas ao mês, veja a flor de outubro.
A contrapartida é o pólen. O aumento de grãos no ar, somado à poeira levantada pelo vento e à variação brusca de temperatura entre manhã e tarde, faz da primavera o pico de rinite alérgica, sinusite e crises de asma. Ventilar a casa nos horários de menor vento e manter a hidratação ajuda — e sintomas persistentes pedem avaliação médica.
Para quem cultiva, é a melhor janela do ano: veja o que plantar em outubro e as frutas da época. Do outro lado do planeta, a mesma data abre o outono — o contraste está em outubro no hemisfério norte. E para mensagens da estação, veja as frases de primavera ou as demais curiosidades de outubro.