Como o exame é feito
O exame é rápido, feito em pé, diante de um aparelho de raios X específico para a mama. A técnica posiciona uma mama de cada vez sobre uma placa e a comprime com outra placa por alguns segundos, o tempo da imagem. Normalmente são feitas duas incidências por mama, uma de cima para baixo e outra oblíqua. Tudo costuma durar poucos minutos.
A compressão é o ponto que mais assusta quem nunca fez. Ela é necessária para espalhar o tecido, reduzir a dose de radiação e melhorar a nitidez. O desconforto é real, mas breve, e varia de pessoa para pessoa; muitas mulheres relatam apenas uma pressão incômoda. Agendar para depois da menstruação, quando as mamas estão menos sensíveis, ajuda. Avise a equipe se sentir dor forte — a posição pode ser ajustada.
No dia, evite desodorante, talco ou creme na região das mamas e axilas: resíduos podem aparecer na imagem e ser confundidos com calcificações. Leve exames anteriores, se tiver: a comparação com imagens antigas é uma das ferramentas mais úteis do radiologista. Informe se estiver grávida, amamentando ou com prótese de silicone, porque isso muda o protocolo.
Quem tem direito pelo SUS
A mamografia de rastreamento é oferecida gratuitamente pelo SUS. O caminho habitual é procurar a unidade básica de saúde do seu bairro, passar por consulta e receber o encaminhamento para o exame, que é feito em serviço de referência do município. Mulheres de 50 a 74 anos são o público do rastreamento organizado e, em muitas cidades, podem agendar diretamente na unidade, sem consulta prévia. Mulheres de 40 a 49 anos e acima de 74 não precisam ter sintoma para fazer o exame: o SUS não restringe o acesso, que se dá por demanda após conversa com o profissional de saúde sobre riscos e benefícios. O exame também é feito quando há indicação clínica — sintoma, alteração no exame físico ou fator de risco identificado. Em outubro, é comum haver mutirões e ampliação de horários, como parte das ações de Outubro Rosa.
Rastreamento e diagnóstico não são a mesma coisa
A mamografia de rastreamento é feita em mulheres sem sintomas, para procurar alterações que ainda não deram sinal. A mamografia diagnóstica é solicitada quando já existe uma queixa — nódulo palpável, secreção, retração — e costuma vir acompanhada de ultrassonografia e, se necessário, de biópsia. Perceber alterações no dia a dia é o papel do autoconhecimento das mamas, que não substitui nem o exame clínico nem a mamografia.
O que significam as categorias BI-RADS
O laudo classifica o resultado em categorias padronizadas, o BI-RADS. Elas indicam a conduta, não um diagnóstico definitivo:
| Categoria | O que indica |
|---|---|
| 0 | Exame inconclusivo; são necessárias imagens adicionais ou comparação com exames anteriores. |
| 1 | Exame normal, sem achados. |
| 2 | Achado benigno, como cisto simples ou calcificação típica. Segue o rastreamento de rotina. |
| 3 | Achado provavelmente benigno. Geralmente indica controle em intervalo mais curto, definido pelo médico. |
| 4 | Achado suspeito. Costuma levar à investigação com biópsia. |
| 5 | Achado altamente suspeito de malignidade. Investigação indicada. |
| 6 | Malignidade já confirmada por biópsia, em acompanhamento ou tratamento. |
Categorias 4 e 5 não significam diagnóstico de câncer: significam que o achado precisa ser investigado. Só a biópsia confirma. Quem interpreta o laudo e define a conduta é o médico que acompanha o caso.
Sobre riscos e hábitos, veja prevenção do câncer de mama. A campanha completa está em Outubro Rosa, e o calendário do mês em datas comemorativas de outubro. Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica.